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FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela



Quinta-feira, 26.12.13

PASSOS COELHO A UNS TIRA A OUTROS DÁ

Se os portugueses (o povo!) ainda tivessem dúvidas quanto à verdadeira política de Passos Coelho, no que concerne à distribuição dos sacrifícios impostos pelo governo/troika, elas ficaram claramente desfeitas na sua triste mensagem de Natal, que me obriguei a ouvir para poder comentar.

  1. Não sei porquê, mas não consigo acreditar em uma só frase do Sr. Passos Coelho. Tudo me parece encenado, a contragosto. Ele parece que está a fazer um esforço enorme para olhar de frente para os operadores de televisão. E isso tira-lhe credibilidade. Se calhar não é bem assim, talvez seja eu que não consigo ver de outra maneira… São tantas que ele tem feito!
  2. Enquanto os cortes nos salários continuam, vem aí o aumento da electricidade, das rendas de casa, dos transportes, etc. Isto é que é moral!
  3. Mas a medida mais significativa e simbólica para início do ano de 2014 é, por um lado, o CORTE nos salários dos “ricos”, aqueles que têm um vencimento a partir de 675 €; e DESCIDA do IRC para os “pobres”, leia-se: os empresários. Esta medida é significativa porque ataca sempre os mesmos. Aqueles que menos têm. É simbólica porque revela a matriz ideológica do líder do PSD, que de social-democrata talvez tenha ainda o nome, mas por certo, não corresponderá ao que pensava Sá Carneiro.

Esta é a marca inconfundível deste governo: pauperizar ainda mais quem já pouco tem e enriquecer quem é mais rico.

Para justificar o empobrecimento de uns e o enriquecimento de outros, vem Passos Coelho dizer que esta brilhante medida vem criar investimentos, logo mais postos de trabalho.

Proponho ao governo que, através dos seus grupos parlamentares, proponha a criação de uma comissão (com maioria de membros da oposição, para dar mais credibilidade a mesma) para acompanhar, com rigor, o sucesso desta medida do governo, a saber: quantos milhões de euros foram poupados, isto é: quantos milhões não foram pagos aos trabalhadores que sofreram cortes salariais e quantos milhões não foram pagos às finanças pelos empresários, com a descida do IRC nas modalidades contempladas.

O povo, que sofre na pele, no corpo e na mente, estas medidas destruidoras da dignidade humana, tem o direito de saber quantos postos trabalhos serão criados até 31 de Dezembro de 2014.

O governo está obrigado a esclarecer este impacto “positivo” no decréscimo do desemprego, logo no princípio do ano de 2015. Se não o fizer, então é porque tem medo de mostrar que erra tanto. Mas, lembro-me que em campanha eleitoral de 2011, Passos Coelho mostrou-se aos quatro pontos cardeais gritando que era um paladino da verdade. Como aquela verdade que ele apregoava que não aumentaria impostos, nem desceria os ordenados, lembram-se! Mal chegou ao governo fez imediatamente o contrário: aumentou impostos e cortou salários. O povo que votou no PSD de Passos provavelmente já não se lembra, mas eles também estão a “pagar as favas” devido a veia ideológica do seu grande líder. Repensem a vossa votação em 2015.

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publicado por António Pinela, eFilosofia às 22:42



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