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FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela.



Quinta-feira, 12.05.11

Porque temos necessidade de reflectir?

O acto de pensamento que apelidamos de reflexão é sempre um acto presente. No entanto, a reflexão é sempre reflexão sobre o passado: o que nos aconteceu, o que já pensámos. É, portanto, pensamento sobre uma situação. O ser humano é sempre um ser em situação: no trabalho, na vida familiar, na vida social, etc.

O que nos leva a reflectir é, portanto, o estarmos sempre presentes, e esta presença implica permanentemente a inquietação e a dúvida. Perante estas, o homem procura uma posição existencialmente assumida, confortável, e a inteligibilidade da situação porque passa ou passou. Assim, do ponto de vista filosófico, o homem posiciona-se sobre a realidade que o envolve do ponto de vista crítico, para obter a clarificação e, assim, poder orientar a sua conduta. Por esta via, e se as coisas do mundo também o despertam, ele amplia a sua reflexão e é capaz de apreender os grandes problemas universais que o inquietam, como: As origens, O sofrimento, As situações-limite, A injustiça, O destino, A morte, O significado da existência, A dimensão do amor, A existência de Deus, entre outros.

A partir das interrogações inquietantes, sempre eternas, que perturbam a humanidade, o homem procura e delineia para si uma resposta. Por isso se diz, e com razão, que a reflexão filosófica caracteriza-se pela subjectividade, porque é um perguntar pessoal. Enfim, a atitude filosófica concorre para que a) o homem filosofante se empenhe num esforço crítico, cuja finalidade é obter maior certeza perante as dúvidas imediatas; b) a reflexão filosófica determina a nossa conduta; e c) a dúvida, a crítica, o sentimento do não saber e a consequente pesquisa – princípios fundamentais da afirmação humana – concorrem para que o homem se consciencialize dos grandes temas universais, e se vincule a uma atitude perante a vida, o saber e o Mundo.

Este é o caminho que determina o Homem consciente, informado e livre, que é o Homem total. O homem ao aperceber-se da multiplicidade do existente, ao sentir dificuldades na interpretação das "realidades" Natural e Social, ao perguntar-se porquê assim e não de outro modo, sente necessidade de reflectir sobre si mesmo e o mundo exterior: o mundo envolvente, "misterioso", "contraditório". Então, procura responder a essa emergência interrogativa.

As interrogações iniciais, sobre problemas existenciais, dirão alguns, são demasiado irracionais e pueris, e pouco ou nada terão a ver com as vivências concretas! No entanto, tenhamos presente que todas as experiências sempre têm um princípio, e que aos primeiros balbucios pode seguir-se a fase de afirmação. O interrogar ingénuo, a procura sem encontrar, é já o alimento imprescindível para o desenvolvimento ulterior do espírito e é também o filosofar que emerge. Com efeito, todo o homem - mesmo que de todo o ignore - pratica uma filosofia: é a filosofia espontânea que é comum a todo o ser humano.

Filosofar implica, em graus diferentes, a consciência do pensamento. Pensamento é a faculdade de pensar, é todo o fenómeno da consciência. Devemos, no entanto, distinguir o pensamento que é racional, reflexivo (neste caso, pensar é julgar, é o produto da reflexão) do pensamento que temos imediatamente pelo “conhecimento” dos objectos (que é espontâneo).

Esta noção de pensamento implica, naturalmente, diferentes níveis de filosofar: um situa-se ao nível do perguntar ingénuo, do saber do quotidiano, aquele que a vida ensina! Outro é um tipo de saber premeditado, que problematiza toda a realidade com a intenção de a esclarecer. O esclarecimento, para o homem em situação, é a luz que lhe indica o caminho, mas, por vezes, as trevas ocultam a sua visibilidade e desvia-o do caminho inicial, do caminho da verdade. Quanto sofrimento é causado por tais desvios? Vale a pena reflectir sobre as situações criadas pelo Homem, cada homem. Alguém está imune?

António Pinela.

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publicado por António Pinela, eFilosofia às 18:15


comentários

De Anónimo a 12.05.2011 às 23:23

Gostei do seu texto. De uma forma objectiva chama-nos a atençãp para a necessidade urgente do exercício do pensamento. A reflexão, nos tempos que corem, é fundamental para que, em conjunto, contribuamos para que as mentes adormecida, despertem, como queria Sócrates. Obrigado

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