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FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela



Sexta-feira, 12.04.13

O maniqueísmo neoliberal

O governo de Passo Coelho/Vítor Gaspar/Miguel Relvas, dia sim, dia não, quando não todos os dias, laça novos ‘soundbites’ (não é assim que dizem os “tudologos”, na expressão feliz de António Chainho?), que rapidamente se transformam em “factos”. Escolhem um ambiente apropriado, onde a contestação não se fará de imediato; por exemplo, numa qualquer reunião do PSD ou da JSD; num jantar (ou semelhante) com empresários; numa visita ao estrangeiro, ou quando algum ilustre governante ou comprador (dos restos de Portugal) de outro país visita o nosso. Ambientes que sabem que não lhe serão hostis, pelo contrário.

O passo seguinte, já se sabe qual é, está no manual deste governo: figuras bem instaladas na sociedade, ‘grandes’ gestores, empresários de grandes empresas, comentadores de serviço, que tudo sabem melhor que ninguém; e, espalhados pelo país, alguns ilustres “sociais-democratas”, que nunca sentiram as agruras da vida, preparam o terreno local e nacional para a tal sementeira destrutiva “social-democrata”. Ou seja, os tais ‘soundbites’ passam a temas da ordem do dia do governo, com vista à estucada final. É assim que funcionam estes senhores que, enganando o povo que lhe deu o voto, acederam ao poder e aniquilam o país.

Qual é, então, a grande descoberta política de Passos Coelho? O maniqueísmo! Os ricos e os pobres; os empregados e os desempregados; os novos e os velhos; as empresas privadas e as empresas públicas; o ensino privado e o ensino público; a saúde privada e a saúde pública. Os primeiros são os bons, os segundos, os maus. É esta a ‘socio-visão’ “coelhista”. Portanto, Coelho tem uma visão dualista da sociedade, dividindo-a entre os bons e os maus, que, na sua génese, se opõem. Os ricos, os empregados, os novos, as empresas privadas, o ensino privado, a saúde privada, os partidos do governo são intrinsecamente bons; os pobres, os desempregados, os velhos, as empresas públicas, o ensino público, a saúde pública, os partidos da oposição são intrinsecamente maus.

Um governante pode, mas não deve dizer o que inopinadamente diz de um povo. Ao ouvir-se Passos Coelho fica-se com a sensação que ele pretende colocar portugueses contra portugueses; de um lado os bons: onde ele, o seu partido e os restantes figurões se incluem; do outro os maus: os desamparados, os reformados, o sector público, a gentalha, etc.

A mais recente oposição de contrários, entre bons e maus, que Passos Coelho criou, está entre jovens e seniores. Vai dizendo ele, e não só ele, que os Velhos reformados e pensionistas estão a usufruir mais do que o que descontaram para a Segurança Social ou Caixa Geral de Aposentações. E é por isso, li algures, que o país se endividou, porque temos regalias sociais muito elevadas! Ora, permito-me dizer, com toda a veemência, que o povo português não tem regalias sociais a mais, o que tem, e devem ser respeitados, SÃO OS SEUS DIREITOS SOCIAS, que o PSD/CDS quer retirar aos portuguese e colocá-los na vivência miserável do 24 de Abril.

Onde o Estado se endividou não foi com os trabalhadores nem com os velhos, mas sim com o desperdício que ocorre em várias instituições; com os volumosos salários e mordomias atribuídos a alguns gestores públicos; com institutos públicos de duvidosa eficácia, que proliferam pelo país; com apoios atribuídos a fundações que não sabemos para que servem; com tantos gastos supérfluos que os governos fazem com grupos de trabalho para efectuar estudos que não se conhecem; com as rendas pagas às famosas PPP’s, que o governo tarda em rever seriamente. Há muito por onde cortar, mas é mais fácil cortar aos fracos para os fazer rastejar. Os fortes, porque são fortes, estão protegidos, são eles que sustentam este governo (Dezembro de 2012)

António Pinela

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publicado por António Pinela, eFilosofia às 18:01



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