Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela



Sexta-feira, 12.04.13

Assim vai a liberdade concebida pela direita

A direita retrógrada, saudosista, passadista não perdoa. Há quarenta anos perdeu privilégios, deixou de ter o monopólio da liberdade, do poder, da economia e adorava ser adulada. O povo ergueu-se contra ela,  acompanhou a revolução de Abril e mostrou-lhe que o poder é de todos, a liberdade é um bem comum, o mais precioso de todos os bens, e que os bens económicos também são de todos. Muitos daqueles que engrossavam aquela direita, uns vestiram o fato de macaco e a pele de democratas, deixaram crescer a barba e o cabelo – querendo simbolizar que até eram revolucionários; outros calaram-se e foram passando desapercebidos; outros ainda, os mais endinheirados, meteram o rabo entre as pernas e fugiram para outros países que lhe deram acolhimento. Mas eles nunca esqueceram os privilégios que tinham em 24 de Abril de 1974. Como poderiam esquecer?

Passada a fase do entusiasmo de Abril, com a normalidade de um Estado de Direito, que Portugal foi sedimentando; passadas algumas convulsões políticas, sociais e militares; regularizada a posição de Portugal na Europa; a direita portuguesa, ainda envergonhada, começa a organizar-se e a regressar. “Fez-se” democrata, fingiu aceitar as regras do jogo democrático, mas nunca foi capaz de esconder quais seriam os seus verdadeiros objectivos, assim que pudessem: voltar ao 24 de Abril.

Há sinais evidentes que apontam nesse sentido, tais como: 1) O desejo de  eliminar o Estado Social: desmantelando o Serviço Nacional de Saúde; emagrecimento da Escola Pública; destruição da Segurança Social. 2) Empobrecimento do povo para mais facilmente o dominar; e, como estucada final, enfraquecimento da classe média, dado que é esta que tinha poder reivindicativo. Com estes desideratos conseguidos, à direita saudosista só faltaria alcançar mais um grande objecto: controlar a comunicação social, que já começou.

Esta reflexão é sugerida pelo tema que tem feito as manchetes dos jornais e as aberturas dos telejornais: o regresso de José Sócrates ao comentário político na RTP. Bem sei que o anterior Primeiro-ministro desperta ódios e paixões; que, na sua governação, cometeu erros; mas também sei que desde que saiu do governo, e se remeteu ao silêncio, tudo tem sido dito a seu respeito, tudo a direita tem feito para se livrar dele. Creio que, nestes últimos quarenta anos, nunca houve tantos ataques pessoais a um ser humano. Podemos e devemos mostrar as nossas discordâncias políticas, seja com quem for, isso faz parte da democracia, mas já não me parece que seja muito democrático e sério, o insulto, a insídia e o impedimento de alguém se manifestar através da palavra.

É o que a direita saudosista, finalmente agora no poder, quer fazer: Impedir que o anterior Primeiro-Ministro se expresse, mesmo se foi convidado a fazê-lo por um canal de televisão. Esses que querem controlar a televisão, já terão contabilizado quantos comentadores de direita passam pelas televisões? Não. Então façam esse exercício. O comentário político de José Sócrates é bem-vindo, gostemos ou não dele, como o de outros democratas de esquerda. O direito ao contraditório faz parte da democracia. Sem esse direito não existe democracia. Estas notícias mostram bem como é que alguns néscios entendem a democracia.

Mas porque razão não quer o PSD/CDS que José Sócrates apareça na RTP? a) É porque pensam que a RTP é deles? b) É porque são eles que querem programar a RTP? c) É porque prometeram "mundos-e-fundos" e enganaram o povo e não querem ser desmascarados? e) Ou é porque temem as “verdades” de José Sócrates? Sim, porque ele também terá as suas verdades a comunicar. Grandes democratas me saíram estes senhores! Todos os desempregados do PSD arranjaram um lugarzinho de comentador de tudo, alguns são mesmo encartados, são aqueles que sabem tudo. O PSD tem cinco antigos  presidentes do partido, entre eles um antigo Primeiro-Ministro, a fazer comentário político: Luís Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes,  Pedro Santana Lopes. Mas também outros, de menor nome.

A terminar esta reflexão, direi que José Sócrates tem sido tratado de forma irracional e grosseira pela direita no poder. Eles cegam só de pensar que Sócrates virá dizer alguma coisa que não lhes convém. Estes cavalheiros deveriam era ocupar-se com a governação do país, para a qual foram designados; eles deviam era pensar no que disseram em campanha eleitoral e comparar com o que estão a fazer e corrigir as políticas desastradas que estão a aniquilar Portugal; já chega de desculpas; já chega de dizer que a culpa é dos outros. E quais são as culpas do PSD/CDS, que ainda não foram capazes de, em dois anos, acertar numa política? Erram sempre. Exemplo típico disso é o famoso ministro das finanças que, ao que parece, é muito elogiado lá fora, enquanto cá dentro é odiado.

Vejamos como Vítor Gaspar iniciou a sua conferência da 7.ª avaliação da troika: «A 7.ª avaliação foi positiva». Positiva? Como positiva, se o povo está cada vez mais na miséria, porque lhes cortam os salários e as pensões e lhes aumentam os impostos? Positiva, se o Estado está cada vez mais endividado? Remodelem-se ou partam… (Março/2013).

António Pinela 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por António Pinela, eFilosofia às 22:50



Sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  




Comentários recentes

  • Kruzes Kanhoto

    Catarina Martins não é a primeira ministra mas lá ...

  • Anónimo

    E concelho.

  • Fátima Bento

    E quem disse que ele é português? O artigo no El P...

  • fernando

    Senhor JorgeDeixando de parte os ideais políticos,...

  • Laranja

    Com esse tipo de linguagem apetece me só dizer-te....

  • eFilosofia

    Caro senhor Carlos, Permita-me que o trate assim, ...



contador de visitas