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FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela



Sábado, 25.05.13

A essência da religião e os oportunismos

A religião emerge de contextos culturais específicos. Com efeito, antes de se considerar o homem como um ser religioso, ele é um ser natural que, lenta e progressivamente, vai sendo aculturado. Assim, empregando uma terminologia clássica, o homem pode ser definido como animal racional (porque dotado de razão), como animal político (porque é um ser gregário que vive em sociedade), mas também pode definir-se como animal religioso (porque os valores religiosos lhe são essenciais). A história confirma esta característica essencial ao apresentar o homem e a religião inseparáveis.

Não se conhece povo que não tenha a sua religião. Desde o culto de Osíris, no Egipto, e o culto da antiga Babilónia, 2000 a.C., onde o código de Hamurabi apresenta a teologia de Marduk como religião do Estado; desde as diversas formas que a religião foi adquirindo na Grécia e em Roma, antes do cristianismo, o sentimento religioso tem sido inseparável do homem.

Mas a evolução da vida social leva ao aperfeiçoamento da religião. E os velhos politeísmos começam a ser postos em causa, passando-se a dar maior sentido ao aspecto da imaterialidade da religião. A fé passa a ser mais subtil e mais esclarecida e, daí, decorrem as chamadas religiões superiores. Isto é, desenvolvem-se as ideias monoteístas que irão dar corpo à ideia da existência de um só Deus, criador de toda a vida, no qual se passa a acreditar.

Nas grandes religiões monoteístas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo), os homens acreditam na existência de um só Deus, distinto do Mundo, transcendente e Princípio Absoluto de toda a Realidade. Deste modo, o monoteísmo marca o estado mais elaborado da religião e é tido como um processo purificador do politeísmo.

Estas três religiões comportam alguns traços comuns, como por exemplo: a semelhança na superior afirmação na existência de um só Deus; o estabelecimento na vida de uma prática moral; e o aperfeiçoamento da pessoa humana através das regras de conduta que enformam estas religiões.

A primeira religião a tornar-se monoteísta foi o Judaísmo. Para o povo Judeu, Javé (transliteração do nome de Deus) revelou-se a Moisés como Deus único e pessoal. Esta revelação encerra-se no Antigo Testamento. Registe-se que o Judaísmo foi de relevante importância para a formação das outras grandes religiões monoteístas: o Cristianismo e o Islamismo.

O Cristianismo é a religião criada por Jesus Cristo. Para os Cristãos a Revelação de Deus está intimamente ligada à pessoa de Jesus e os Evangelhos (Novo Testamento) são o testemunho da sua vida (relato descrito pelos seus discípulos, depois da sua morte, baseado na memória dos que o tinham conhecido).

A Islamismo é a religião muçulmana fundada pelo profeta Maomé e é baseada no Alcorão ou Corão, livro sagrado do Islão que lhe foi revelado por Alá (ou Allah), o seu Deus.

Dito isto, que é então a religião? A etimologia tradicional faz derivar a palavra religião do latim: religio, religare (religar, ligar bem), o que nos permite afirmar que a religião é, assim, uma ligação (ou reunião) entre os homens.

Consequentemente, a religião pode, portanto, definir-se como um sistema de crenças (dogmas) e de práticas (ritos) relativos ao sentimento da divindade (ou realidade sagrada) e que une na mesma comunidade moral (Igreja) todos aqueles que a ela aderem.

Toda a religião se funda sobre uma revelação, cuja condição histórica pode ser a história exemplar de um povo (Judaísmo), ou de um profeta, cujos ensinamentos e modelo ideal de vida são conservados pela tradição (Cristianismo, Islamismo).

Os dogmas religiosos significam a doutrina estabelecida dentro de uma religião, aceite e seguida pelos seus membros e determinam que a Igreja ensina em nome de Deus e da Revelação. Os dogmas, assim entendidos, são sinónimos de verdades reveladas, porque são objecto da fé, impostas pela autoridade da Igreja e aceites sem crítica nem exame. Eles são apresentados como irrefutáveis porque foram criados por inspiração de Deus, ser sobrenatural que os homens devem adorar. É através dos ritos, conjunto de cerimónias prescritas para a celebração do culto, que, normalmente, os homens adoram a Deus, em local designado Igreja que congrega os fiéis ligados pela mesma fé.

Que procuram os crentes através das práticas religiosas? À semelhança de outras práticas humanas, a religião procura dar respostas a problemas fundamentais que sempre têm impressionado a humanidade. Sabemos que a Filosofia se interroga acerca da origem do Homem e do Cosmos, do sentido da vida e do nosso destino, da imortalidade da alma ou da vida eterna, etc. Estas são preocupações que também sensibilizam, embora de modo diferente, a Religião. Enfim, através da religião o homem procura as respostas – que o satisfaçam – que à luz da razão não são fáceis de entrever. Deste modo, o homem precisa de recorrer a uma entidade superior que o ampare na angústia e na dúvida, que o conforte na dor e no desespero.

A influência da religião, pelas suas características, faz-se sentir a todos os níveis da praxis humana. Consoante os quadrantes culturais, a sua intervenção é sentida a nível político, económico, cultural e social. Assim sendo, e dada a sua influência na vida dos povos, os mais lúcidos deveriam, não servir-se dela, mas denunciar oportunistas que, em seu nome, a utilizam para fins que não sejam aqueles que a sua essência determina. (António Pinela; Reflexões)

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publicado por António Pinela, eFilosofia às 22:38



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