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FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela.



Quinta-feira, 18.06.15

PENSAMENTO CONVERGENTE VERSUS PENSAMENTO DIVERGENTE

Nota preliminar: A propósito de alguns comentários ao meu post, publicado no dia 16.06.2015: «QUE FALTA VENDER EM PPORTUGAL», entendi que não seria despropositado reeditar, hoje, um texto que escrevi em 2004.

Quem não está connosco está "contra-nosco"». Lembram-se desta frase, que foi pronunciada em Almada, em 1975? Já lá vão trinta anos, mas ainda há muita gente que pensa assim! Para estes não pode haver alternativa. Psicologicamente, denomina-se a este modo de pensar, «pensamento convergente».

É um modo de pensamento orientado para a obtenção de uma única resposta a uma situação. O ser pensante, colocado perante um problema, submete-se a instruções rígidas no sentido de encontrar uma única solução. O seu comportamento é conformista, prudente, rigoroso, mas limitado.

Explicitando, toda a forma de pensar, dos diversos actores, obedece à ordem de comando, daquele que, ocasionalmente, lidera o grupo.

Quem se atrever a pensar diferente, mesmo que o seu pensamento enriqueça os pensamentos anteriores, mesmo que tal pensamento seja lúcido e traga mais-valia, não poderá ser contemplado, porque isso iria contra os ditames do líder e este sentir-se-ia fragilizado, porque o pensamento vencedor não teria sido o seu. E o chefe tem que ter pensamentos...

Todavia, o pensamento convergente, que parecendo muito objectivo, acaba por encaminhar-se para o unanimismo. Logo, é um pensamento ortodoxo, dogmático, não criativo, autoritário. E, por consequência, os defensores deste tipo de pensar, radicalizam-se, não aceitam o debate e, muito menos, a troca de ideias, porque as suas, mesmo que vazias de conteúdo, são sempre as melhores. É a incapacidade de reconhecer que o outro, por mais humilde que seja a sua posição social ou profissional, pode ter rasgos de elevada reflexão e de produção de ideias. Tais sumidades convencem-se que aos olhos dos outros, mas sobretudo a seus olhos, são a luz que ilumina as trevas! A tais, eu recomendaria uma reflexão sobre a célebre frase que imortalizou Sócrates, o pai da Filosofia: «Só sei que nada sei».

Ao invés do pensamento convergente, proponho o pensamento divergente, pensamento criador, mensurável através da resposta a problemas deste tipo: «Que uso se pode fazer de um Posto Público de Internet?» A pessoa, colocada perante o problema, procura todas as soluções possíveis, não se limitando à conformação de uma solução já experimentada, desenvolve as suas respostas por meio de ensaios e erros, por aproximação experimental.

Mas não termina aqui a sua tarefa. Encontrada a sua resposta, há agora que a confrontar com as demais respostas e aceitar, sem melindres, a melhor solução para o problema em análise. É assim que o conhecimento cresce e os problemas se resolvem. É isto o pensamento divergente.

Pensamento que inova, pensamento aberto, receptivo a aperfeiçoamentos, que não menospreza os contributos seja de quem for, que aproveita as experiências exteriores, o que elas têm de enriquecimento para o objectivo do nosso trabalho. Por que não acolher experiências fundamentadas ao longo de carreiras profissionais? Por que menosprezar o saber de estudo e de experiências feito por pessoas que sabem mais do que nós em determinadas valências e vivências?

Não tenhamos dúvidas, podemos conhecer muito bem determinada matéria, mas, é bom não ignorar, para bem do conhecimento e da resolução das situações, que há sempre alguém que sabe um pouco mais do que nós, em determinado assunto específico. É este um princípio essencial da humildade do saber.

António Sérgio (filósofo e ensaísta português) recomendava, na qualidade de aprendiz mais velho, que não fizéssemos uma só leitura, que escutássemos o que os outros têm para dizer, que não menosprezássemos a sabedoria alheia... e, então, decida (António Pinela, Reflexões, Outubro de 2004)

 

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publicado por António Pinela, António Pinela às 22:29

Terça-feira, 16.06.15

QUE FALTA VENDER EM PORTUGAL

Passos Coelho e Paulo Portas vendem tudo, mas sobretudo vendem o que não é deles. O que já venderam era, e o que estão para vender é de todos os portugueses; logo, à luz das minhas leis, porque Portugal também é meu, cometeram e cometem ilegalidades.Mas antes de avançar na minha reflexão, deixo a seguinte pergunta aos meus leitores: Porque será que tudo o que este governo põe à venda tem muitos interessados?

É que o governo diz que as empresas do Estado dão prejuízo, têm dívidas elevadas, estão falidas… Mas se dão prejuízo e têm dívidas elevadas, porque as cobiçam tanto, os privados? Diz apressado o governo do PSD/CDS: Os privados são melhores gestores que os públicos. Mas, pergunto eu, que não percebo nada da gestão das grandes empresas, apenas sei gerir, com dificuldade, a reforma que aufiro depois de trabalhar desde os dez (10) anos de idade até aos 65; pergunto eu, dizia, não é verdade que os tais sábios gestores passeiam-se entre o sector público e o sector privado da economia? E já agora, uma pergunta muito ingénua: quem nomeia os gestores para as empresas do sector público, é o Povo, o Parlamento ou o governo? Diz-me a minha memória que é o governo. Então, sendo assim, das duas uma, ou as duas ao mesmo tempo: ou o governo não percebe nada de gestão e então nomeia gestores, apenas por critérios políticos, para arruinar as empresas e, depois, ter argumentos para as privatizar; Ou os gestores, sendo competentes no privado, sabendo que o governo não lhes convém a sua competência, deixam correr o marfim, dando pretexto ao governo para aplicar a mesma receita: privatize-se.

Ora, tem sido, na minha despretensiosa opinião, o que têm ocorrido nos últimos anos, em Portugal. Arranjar argumentos, mesmo à trouxe-mouxe, para desbaratar o sector público do Estado. Não confundamos o Estado com o governo. Parafraseando um amigo de juventude, arranha-me o cérebro quando oiço alguns governantes dizer que falam o nome do Estado; sabendo eu que tal não é verdade. Eles falam em nome próprio, talvez do governo, agora do Estado? Livra!

Mas voltemos às empresas que têm estado em leilão. Este governo do PSD/CDS já vendeu quase todos os símbolos de Portugal, e fê-lo com uma perna às costas:

  • EDP (a eléctrica portuguesa): Os 21,35% que o Estado ainda detinha foram despachados para a China Three Gorges.
  • REN (a empresa que gere as redes de electricidade e gás do país) foi entregue à Chinesa State Grid e à Oman Oil.
  • CTT (um dos símbolos maiores de Portugal) foi despachado, em bolsa.
  • Fidelidade (os seguros da Caixa Geral de Depósitos) também não fugiu ao capitalismo bondoso dos chineses da Fosun.
  • HPP (hospitais privados de Portugal, também do universo CGD) foram parar às mãos norte-americanas da Amil.
  • ANA (Aeroportos de Portugal) teve o mesmo destino, mas desta vez ficou aqui mais próximo, Coelho/Portas venderam esta empresa à Vinci de França.
  • FALTA VENDER O QUÊ? Espanhóis, franceses e ingleses, e “o novo dono da TAP”, estão desejosos para comprar a Carris e o Metro de Lisboa… deve ser porque são empresas que dão prejuízo! Depois disto, que falta vender? AS RUAS DE PORTUGAL. Provavelmente, será isto que bailará naquelas mentes iluminadas, patrióticas e de direita que, transitoriamente, nos saíram em sorte, mas que sorte, meu Deus!

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publicado por António Pinela, António Pinela às 13:28


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