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FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela.

FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela.
05.11.20

A acção do filósofo


António Pinela

O filósofo, enquanto filósofo, é uma pessoa que deverá estar acima das paixões e dos acidentes da vida.

Uma das actividades mais importantes do filósofo é reflectir, analisar e questionar as ocorrências da essência humana, o universo e a verdade, tudo considerado de modo holístico.

Como professor, pensador ou ensaísta, analisando as principais questões da sociedade, ele só ganhará credibilidade pugnando pela verdade. Se assim não o fizer, ele nunca será um filósofo. Será outra coisa: um comentador, um seguidor, ou um transcritor de conteúdos, mas não um filósofo.

O filósofo não aceita espontaneamente o que lhe é presente, mesmo com aparência de verdade, sem o respectivo questionamento, sem a eficiência da respectiva crítica e dos cuidados da razão, analisando com proficiência acontecimentos, actos, factos ou tendências no âmbito da sociedade.

A narrativa emitida pelo filósofo deverá ser clara, racional, sem ambiguidades, sem segundas intenções, porque fundada na análise e no pensamento crítico, e no respeito pelo pensamento diferente.

Para alcançar este desiderato, o filósofo não se sujeitará a preconceitos, a modismos, a ideias feitas ou pré-concebidas e, sobretudo, não se deixará manipular por interesses instalados, como interesses económicos, políticos, de oportunidade ou outros. Se cair nesta armadilha, não agirá como filósofo.

Por tudo isto, aquele que exerce a actividade filosófica tem que penetrar fundo na essência da Filosofia: ouvindo o eco humano, pressentindo o que a humanidade almeja. Como pode o filósofo ouvir o eco humano? É simples. Por exemplo: quem não preza a liberdade? O eco humano não emerge da minha liberdade ou da tua, individualmente; mas sim, quando em uníssono se ouve a minha liberdade, a tua liberdade e a liberdade do outro. Que valor pode ter a defesa da liberdade individual, particular, se ignorarmos a liberdade do outro, a liberdade geral?

Aquele que apenas pugna pela liberdade individual, situa-se no plano do egoísmo, pois só pensa em si próprio, trata apenas de si e dos seus interesses; ao invés, aquele que se dedica aos outros, ao próximo, ao bem social e à liberdade de todos, situa-se no plano altruísta. O primeiro preocupa-se apenas consigo próprio; o segundo, sentindo a vivência de uma comunidade, na qual está integrado, preocupa-se com o geral. O primeiro torna-se individualista, egocêntrico; o segundo torna-se empático, co-autor das coisas da vida, vendo no próximo um igual a si mesmo ─ princípio primordial susceptível de fundar uma sociedade mais livre, logo, mais justa. (António A. B. Pinela).

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05.11.20

CRÍTICA ÀS MEDIDAS DE "CONFINAMENTO"


António Pinela

A propósito das medidas, agora propostas pelo governo, de entre elas o confinamento ou não confinamento, em que todos temos a melhor proposta, leiamos um texto que escrevi há já algum tempo:

«No sentido corrente (ao nível do senso comum), a crítica é um juízo desfavorável (a crítica é o contrário de elogio). No entanto a crítica não é isso. É, antes, um estudo ― uma apreciação ― destinado a avaliar uma obra, um procedimento, uma atitude, de modo favorável ou desfavorável, procurando situar o seu contexto, as significações expressas ou subentendidas, os tipos de raciocínio, etc. (façam um comentário crítico deste texto, diz o professor). A crítica é, portanto, análise, comentário, estudo ou exame de argumentos, de razões, de motivos, de textos, de obras de arte, de factos, de acções, procedimentos, etc., com a finalidade de formular juízos.
Ao nível do ensino/aprendizagem, a crítica é um exercício que deve estar integrado numa lição ou numa actividade escolar menos formal, a fim de se lhe apreciar o conteúdo, o método, o valor, a eficácia.
A crítica é um instrumento fundamental do trabalho intelectual. Mas criticar não é sinónimo de maledicência, isto é outra coisa bem diferente, e é apanágio daqueles que tudo sabem, mas que nada explicam. Estes são generalistas, que se dizem críticos de qualquer coisa, e com isso sustentam o seu espírito, embora apenas produzam repetições e trivialidades desconexas, por vezes, transferidas.
De modo simples, a crítica labora da seguinte forma:
1. Análise da situação, seja ela qual for: uma atitude, um acontecimento, uma ideia, um texto, um fenómeno. Esta análise pressupõe independência total face a subjectividades, preconceitos, simpatias e outros. Se queremos que nos respeitem e ver considerada a nossa produção intelectual, não temos outra possibilidade: temos que ser objectivos, elucidativos, imparciais.
2. Identificação clara e objectiva de aspectos positivos e negativos (quando os houver e dizer porquê) da situação em análise.
3. Proposta do autor comentador/crítico para melhorar a situação ou compreensão da leitura que faz do objecto analisado.
4. Tudo isto, documentado com a análise, a reflexão, as ideias próprias e as propostas alternativas.
Assim se faz uma crítica: Analisar, Identificar, Propor, Documentar. Tudo o resto não passa de fantasia ou de pretensiosismo desapropriado. Que traz de útil dizer apenas: «Isso está mal», «Não fez nada» «É incompetente»?
Quando produzirmos uma ideia ou um texto, a partir de análise e reflexão efectuadas, não nos devemos inibir de recorrer a autoridades sobre o assunto (outros autores e suas obras, o que disseram…), para nos documentarmos suficientemente; mas identifiquemos, claramente, autores e obras consultadas, a fim de sustentar o nosso trabalho. É importante que o façamos, pois dará mais credibilidade às nossas reflexões, e ao nosso nome. Se formos honestos, quem nos lê ou houve pode não aceitar os nossos argumentos, mas, por certo, reconhecerá que não estamos a ludibriar o pensamento diferente». António A. B. Pinela, Reflexões, 2010.
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