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FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela.

FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela.

27.08.19

A felicidade segundo Santo Agostinho


António Pinela

felicidade santo agostinho.jpg

Analisar o pensamento do Santos Agostinho, mesmo que a análise se limite ao diálogo De beata uita, é uma tarefa muito interessante, mas, ao mesmo tempo, nada fácil.

A leitura do Diálogo sugere-nos, com frequência, outras leituras do próprio autor, como por exemplo De Ordine, Contra Académicos e Confissões. No entanto, tive que fazer opções quanto à metodologia a seguir: ler ou reler outros textos de Agostinho que me ajudariam a compreender os conteúdos do Diálogo, mas que, por certo, me influenciariam na sua interpretação; ou reflectir apenas  sobre De beata uita a partir do próprio texto? (…) Optei pela segunda hipótese, (…) porque este Diálogo vale por si mesmo e a hermenêutica do texto não será influenciada por outras leituras, embora, como é óbvio, eu tenha sofrido, no sentido positivo, influências decorrentes dos debates desenvolvidos no Seminário de Mestrado, que muito me ajudaram. (…)

Neste sentido, esforçar-me-ei, tanto quanto me for possível, por apreender a mensagem que Santo Agostinho transmite, embora tenha plena consciência de que não conseguirei esgotar as tendências abordadas por Agostinho. Pois, o que proponho com a minha reflexão é tão só uma leitura do texto de entre outras possíveis. Consequentemente, na perspectiva de melhor alcançar o sentido do tema que Agostinho propõe, seguirei a sua orientação pedagógica, isto é, não me desviarei muito da ordem sequencial do Diálogo.

A abordagem do Diálogo Sobre a Felicidade, de Santo Agostinho, tem por objectivo analisar e compreender o modo como o Santo abandonou uma vida, que considerava indigna, e se dirigiu para outra, a vida virtuosa, por meio do conhecimento de Deus. Por conseguinte, o presente trabalho centra-se mais concretamente num período muito particular da vida de Agostinho e pode ser datado: É a época em que ele parte com algumas familiares e amigos para Cassicíaco.

O meu interesse pelo estudo do Diálogo de Agostinho deriva do facto de me interessar pela problemática da felicidade. Não é verdade que todos  (cada um a seu modo) queremos ser felizes? É o que pensa Agostinho, com o qual estou totalmente de acordo, embora ele tenha escrito este belo livro em 386 d.C.

Santo Agostinho procurou e encontrou a felicidade em Deus, outros encontrarão aquele estado espiritual em outros objectivos. (...)

Mas voltemos ao texto De beata uita. A sua leitura como que nos transportará para o mundo de Agostinho, isto é, para o mundo que ele descreve consubstanciado na sua vivência e que nos leva a imaginar uma personalidade atractiva, possuída de um coração que pulsa ao ritmo da vida que quer viver, mas que também se preocupa com os outros. Por isso, indaga a verdade, não pelo simples facto de a procurar, mas porque a ama, do mesmo modo se interessa pela vida feliz, porque quer ser feliz.

Devido a grandiosidade do assunto, estou consciente de que a abordagem que faço do texto de Agostinho não é exaustiva, não só por eventual falta de capacidade interpretativa do autor deste trabalho, como também pela riqueza de conteúdos e pela abundância de imagens que Agostinho imprime à obra.

António Pinela

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