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FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela.

FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela.
05.11.20

CRÍTICA ÀS MEDIDAS DE "CONFINAMENTO"


António Pinela

A propósito das medidas, agora propostas pelo governo, de entre elas o confinamento ou não confinamento, em que todos temos a melhor proposta, leiamos um texto que escrevi há já algum tempo:

«No sentido corrente (ao nível do senso comum), a crítica é um juízo desfavorável (a crítica é o contrário de elogio). No entanto a crítica não é isso. É, antes, um estudo ― uma apreciação ― destinado a avaliar uma obra, um procedimento, uma atitude, de modo favorável ou desfavorável, procurando situar o seu contexto, as significações expressas ou subentendidas, os tipos de raciocínio, etc. (façam um comentário crítico deste texto, diz o professor). A crítica é, portanto, análise, comentário, estudo ou exame de argumentos, de razões, de motivos, de textos, de obras de arte, de factos, de acções, procedimentos, etc., com a finalidade de formular juízos.
Ao nível do ensino/aprendizagem, a crítica é um exercício que deve estar integrado numa lição ou numa actividade escolar menos formal, a fim de se lhe apreciar o conteúdo, o método, o valor, a eficácia.
A crítica é um instrumento fundamental do trabalho intelectual. Mas criticar não é sinónimo de maledicência, isto é outra coisa bem diferente, e é apanágio daqueles que tudo sabem, mas que nada explicam. Estes são generalistas, que se dizem críticos de qualquer coisa, e com isso sustentam o seu espírito, embora apenas produzam repetições e trivialidades desconexas, por vezes, transferidas.
De modo simples, a crítica labora da seguinte forma:
1. Análise da situação, seja ela qual for: uma atitude, um acontecimento, uma ideia, um texto, um fenómeno. Esta análise pressupõe independência total face a subjectividades, preconceitos, simpatias e outros. Se queremos que nos respeitem e ver considerada a nossa produção intelectual, não temos outra possibilidade: temos que ser objectivos, elucidativos, imparciais.
2. Identificação clara e objectiva de aspectos positivos e negativos (quando os houver e dizer porquê) da situação em análise.
3. Proposta do autor comentador/crítico para melhorar a situação ou compreensão da leitura que faz do objecto analisado.
4. Tudo isto, documentado com a análise, a reflexão, as ideias próprias e as propostas alternativas.
Assim se faz uma crítica: Analisar, Identificar, Propor, Documentar. Tudo o resto não passa de fantasia ou de pretensiosismo desapropriado. Que traz de útil dizer apenas: «Isso está mal», «Não fez nada» «É incompetente»?
Quando produzirmos uma ideia ou um texto, a partir de análise e reflexão efectuadas, não nos devemos inibir de recorrer a autoridades sobre o assunto (outros autores e suas obras, o que disseram…), para nos documentarmos suficientemente; mas identifiquemos, claramente, autores e obras consultadas, a fim de sustentar o nosso trabalho. É importante que o façamos, pois dará mais credibilidade às nossas reflexões, e ao nosso nome. Se formos honestos, quem nos lê ou houve pode não aceitar os nossos argumentos, mas, por certo, reconhecerá que não estamos a ludibriar o pensamento diferente». António A. B. Pinela, Reflexões, 2010.
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