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FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela.

FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela.

18.08.19

Realidade e conhecimento


António Pinela

INAUGURAÇÃO BIBLIOTECA DE CARVALHAL EM 23.10.200

REALIDADE. Em termos absolutos, “realidade” significa tudo o que existe. Ou, dito de outro modo, tudo o que é ou está: a existência efectiva de alguma coisa, que é verdadeira, que tanto pode designar um ser em particular, como o conjunto dos seres globalmente considerados. Mas há vários estados de realidade: há a realidade exterior (ao sujeito do conhecimento) ― tudo que é ou está para além de nós; mas também a realidade interior (ao sujeito) ― tudo que ocorre em nós, como a imaginação, a ilusão, a dor, a paixão, o amor ou o ódio, enfim, os sentimentos e as emoções. A ilusão, por exemplo, embora possa não corresponder a uma circunstância positiva, porque forjada num erro, engano, impostura ou quimera, é uma situação real e verdadeira em si mesma.

A realidade exterior e interior só podem ser apreendidas pela percepção e pela razão; mas percepção e razão mais não fazem que uma interpretação da “realidade”, porque esta apresenta-se, quase sempre, de forma multifacetada, o que dificulta o conhecimento.

CONHECIMENTO. Numa primeira tentativa, expliquemos o vocábulo “conhecimento” com a ajuda de um dicionário da língua portuguesa. Informa o dicionário que “conhecimento” é: faculdade de conhecer; relação directa que se toma de alguma coisa; noção; informação; experiência; pessoa com quem se tem relações; saber; instrução; perícia; forma do entendimento que representa o acto de conhecer, implicitamente contido na coisa conhecida. Estes são alguns exemplos por que é habitual traduzir a palavra “conhecimento”. A riqueza da informação apresentada mostra bem que não é fácil a apreensão imediata do sentido exacto de conhecimento; bastaria que nos propuséssemos analisar cada palavra ou frase descritas, para nos darmos conta das inúmeras questões contidas no acto de conhecer.

Com efeito, o conhecimento não ocorre de modo brusco ou por mudanças desordenadas; o conhecimento humano constitui-se por um progressivo aperfeiçoamento, partindo das experiências mais ingénuas, aperfeiçoando-se por etapas, até se situar na intelecção dos objectos, dos fenómenos e das ideias universais.

O conhecimento ou imagem que construímos do mundo, tal como decorre das nossas experiências, o mundo dos fenómenos, constitui sempre e apenas uma aproximação à realidade; aproximação que se constitui em teorias, ‘mais ou menos’ consideradas, mas sempre provisórias como é, aliás, todo o conhecimento humano.

No sentido do senso comum, o conhecimento é o que se conhece por transmissão da herança cultural, por influência do meio envolvente, da educação familiar, da experiência que vamos assimilando ao longo da nossa existência. Assim, falamos de conhecimento no sentido de que algo ou alguém nos é familiar: um objecto, um lugar, determinado tipo de conhecimento que adquirimos por experiência, uma situação, uma pessoa. Mas também falamos de conhecimento no sentido de podermos reconhecer ou distinguir um homem honesto ao ver algum, reconhecer ou distinguir a poesia popular da poesia erudita; mas ainda “posso dizer que conheço”: o Fédon de Platão, ao citar os seus conteúdos mais relevantes; as regras do cálculo comercial, demonstrando o que afirmo; as regras de trânsito ou como se conduz um automóvel; que conheço atitudes e valores, etc.

Somos incessantemente confrontados com uma imensidão de questões, a que tentamos dar resposta, na medida em que os nossos conhecimentos o permitem. Tal questionamento relaciona-se com o quotidiano, com a conduta humana, com o futuro do nosso existir, etc. Estas são questões comuns a todos nós. No entanto, a inquirição humana não se fica por aqui, pelo menos para aqueles que têm necessidade de ir mais fundo no saber e na exigência de respostas. Então, pode interrogar-se sobre questões de ordem religiosa, artística, científica, política ou filosófica. Num caso como noutros, responder a tais questões é, pelo menos, tentar satisfazer uma das necessidades mais complexas da actividade humana: o acto de conhecer.

As nossas experiências são: umas de natureza sensível, outras de natureza racional. Os sentidos possibilitam o conhecimento dos dados isolados, que se encontram desorganizados, sem ligação aparente; enquanto a razão procura organizá-los e transformá-los em conceitos gerais e leis. Daremos, por isso, alguma atenção aos seguintes elementos do conhecimento: sensação, percepção, razão (noutro texto).

António Pinela, Reflexões.

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