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FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela.


Sábado, 17.06.17

Limites da liberdade

«O homem está condenado a ser livre», diz Sartre. De facto o homem é livre no seu querer e actuar, mas ele não é absolutamente livre sem limites nem restrições. Cada um vive numa situação única e concreta da sua existência, traz consigo como herança determinadas aptidões espirituais e corporais. Desde a infância está marcado pelo meio que o rodeia, pelas influências da educação, pelo ambiente espiritual, ético, religioso e ideológico em que cresce e se desenvolve; vive em determinadas circunstâncias nacionais, sociais, políticas e culturais que o marcam. Em todos estes casos está restringida a nossa liberdade: com a limitação da nossa existência finita e singular, do nosso conhecimento finito e sempre incompleto e da nossa vontade finita e reduzida a um estreito campo de acção. Tudo isto se conjuga para que a liberdade do homem só possa ser uma liberdade condicionada e limitada.
 
A autêntica liberdade, aquela que cada um vive, começa no momento em que somos capazes de entender que a minha liberdade pode e deve coexistir com a liberdade do outro. Convém não esquecer nunca que nós só somos porque existe o outro, os outros. Sem o outro o eu não existe, é um fantasma navegante, que ainda não é ser, mas está ignorantemente convencido que o é. A liberdade absoluta, do quero, posso e mando, só existe em espíritos míticos, na mente daqueles que se julgam seres superiores, cujo destino lhes terá sido traçado por um Deus maior!
 
Ora, a liberdade não é um objecto de que nos possamos apropriar de uma vez para sempre. A liberdade humana não é, de forma alguma, uma verdade eterna, nem uma posse intemporal, é pelo contrário uma verdade temporal, uma conquista sempre nova, que cada homem persegue sem nunca ter a certeza de ter atingido a sua plenitude. Quer isto dizer simplesmente que os actos dos homens de boa fé têm como último significado a procura da liberdade enquanto tal. E ao querermos a liberdade, descobrimos que ela depende inteiramente da liberdade dos outros, e que a liberdade dos outros depende da nossa (António Pinela, Reflexões)

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publicado por António Pinela, António Pinela às 15:56

Sexta-feira, 16.06.17

Liberdade implica responsabilidade

A vida humana (não a vida biológica) é vida construída, que se faz todos os dias. É uma tarefa. A vida animal tem todos os mecanismos de regulação – o sistema de instintos. Os instintos no homem são muito limitados. Em compensação, o homem tem a faculdade da imaginação, o poder mental de descobrir horizontes, a capacidade de projectar o seu percurso, de se projectar, como diria Sartre. É este pormenor que permite distinguir o que o homem é e quem é. Este simples enunciado faz a diferença.

O que o homem é procede de seus pais, avós, antepassados e dos elementos que integram o cosmos (oxigénio, hidrogénio, carbono…). Quem é o homem procede da educação, formação, cultura, hábitos, usos e costumes em que cresceu e se desenvolveu. Ora, desprovido de um sistema de instintos que regule a sua praxis, o homem decide, em cada momento da sua vida de acção, o que fazer. Com efeito, tem que optar entre múltiplas possibilidades que se lhe apresentam. A opção é um acto livre.

Se, como dizia Karl Jaspers, «o homem é um ser a caminho», é naturalmente um ser livre, como dizia Jean-Paul Sartre. Portanto, se o homem é um ser naturalmente livre, poderá renunciar à sua liberdade? Obviamente, que não.

Vejamos: se me predisponho a aceitar ou a fazer o que determinada pessoa, ou grupo, me impõe, não estarei a hipotecar a minha liberdade? É evidente que não, uma vez que decido tal predisposição. É um acto inquestionável da minha liberdade de que não posso renunciar. A liberdade é irrenunciável.

Parece confuso? Não é. Esclareça-se: em tese, digamos que há vários patamares de liberdade. Três exemplos: a) Se a vida profissional de um homem depende de outro homem, a liberdade daquele está limitada aos humores deste. Mas ele pode dizer não a todo o momento e, quando o faz, pratica um acto de liberdade, mas isso pode custar-lhe o emprego. b) O homem pode não ter recursos para a sua subsistência e isso pode fazer com que abdique de parte da sua liberdade, colocando-se à disposição de terceiros. Mas pode dizer não, nem que isso agrave mais a sua situação. c) Pode viver numa situação política que não lhe permita a liberdade de decisão, de expressão, de movimentos. Mas pode dizer não, sofrendo as consequências de tal decisão.

Nos casos indicados, como exemplos, o homem é sempre livre. A todo o momento, ele pode renunciar ao conforto de um bom emprego, pode não aceitar as migalhas oferecidas, pode estar consciente da sua atitude, mesmo que os grilhões do ditador lhe limitem os passos. Portanto, mesmo que, em casos limite, isso lhe custe a própria vida, o homem pode sempre exercer a sua liberdade. Uma coisa é ter liberdade de acção e de movimentos, outra é ser livre. Ao assim pensar estou a exercer uma atitude de liberdade, porque a liberdade é uma atitude, um acto de consciência.

Posso, num certo momento, estar privado da minha liberdade de movimentos, mas tal não significa que eu não seja um homem livre. Estar condenado, calado, ignorar ou não responder não significa estar prisioneiro, concordar ou desconhecer, mas apenas mostra a força bruta que pretende limitar a minha liberdade. Quem me condena, limita a minha acção ou me humilha pode ser menos livre do que eu. Eu posso estar preso numa cadeia e, consciente dos meus actos, sentir-me mais livre que o Juiz que me condenou. Homem livre não é, por certo, aquele que, em determinado momento, detém o poder e que, pela força e autoritarismo, oprime e limita os movimentos, as decisões, o livre arbítrio do outro; homem livre não é aquele que, sob a capa do poder e do saber, de modo ignorante e autoritário, pretende subjugar o outro, limitando-o na sua acção, humilhando-o perante os outros, como ocorre frequentes vezes.

Façam os ditadores o que fizerem, nunca conseguirão apoderar-se do OUTRO, isso é impossível. A liberdade é constitutiva do ser humano, o que faz com que o homem seja um ser responsável. Porque sou livre, sou responsável. A liberdade é um postulado da responsabilidade. Porquanto, ao saber-se responsável, o homem sente que está sujeito ao cumprimento de deveres. Para assumir os deveres inerentes à sua condição e à sua prática, o homem só pode ser livre. Se não fosse livre, como se responsabilizaria pelos seus actos? Do que está dito conclui-se que liberdade e responsabilidade caminham a par, são absolutamente inseparáveis.

Mas ao longo da história, a liberdade tem conhecido muitos adversários. São aqueles que têm temor da liberdade, tanto da sua como da dos outros. Aquele que oprime, mais tarde ou mais cedo, acaba por ser oprimido e alienar a sua própria liberdade. A História está cheia de exemplos. Cada homem só é livre e responsável se o outro também o for, na mesma medida. E a medida é coisa óptima, disse Cleobulo (António Pinela, Reflexões).

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publicado por António Pinela, António Pinela às 15:08

Domingo, 04.10.15

Cmtv ao ataque

A CMTV fez sentinela na rua Abade Faria, em frente ao número 33, à espera que o Eng. José Sócrates saísse de casa, para ir exercer o seu direito de voto, e lhe “arrancar” uma primeira declaração política, jurídica, sei lá, para, depois, durante todo o dia, e na semana seguinte, apregoarem: “fomos os primeiros a conseguir uma declaração, em primeira mão, do Sócrates” (é assim que eles o tratam).

INGÉNUOS! Então, depois de tanto o perseguirem, de o julgarem e condenarem (com folhetins diários no CM e na sua TV), achavam mesmo que José Sócrates lhes iria dar esse privilégio! Santa ignorância! Que grandes jornalistas!

José Sócrates fez o que achou que devia: uma curta mas explicativa declaração para toda a comunicação social, depois de ter cumprido o acto livre de votar.

Nota final: A CMTV acompanhou J.S. desde casa à secção de voto e desta a casa. Quase que impediam o eleitor de se deslocar. É este o conceito de liberdade deste meio de “informação”: A CMTV tem todos os direitos, sob a capa “do direito à informação e à liberdade de imprensa!”; os outros não: têm apenas a liberdade que eles, no seu douto juízo, entendem. Assim vai algum “jornalismo” em Portugal.

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publicado por António Pinela, António Pinela às 15:10

Sábado, 29.11.14

Congresso do PS, mas...

 Hoje e amanhã (29 e 30/11) ocorre o congresso do Partido Socialista, em Lisboa. É habitual que os jornalistas façam perguntas sobre os congressos que decorrem. Com efeito, destes saem as grandes linhas orientadoras para os futuros dois anos. Não foi assim, desta vez, com o congresso PS. Quais abutres (com boas excepções) que querem motejar o que resta do repasto, que tem alimentado os últimos dias! Pergunta imediata de certos “jornalistas”: «Não acha que a prisão de Sócrates está a criar embaraços ao Partido Socialista»?

Não ignoro que o tema é actual, que desperta interesse, que concita amores e ódios; que para alguns bons juízes de coisa nenhuma, que tudo julgam, José Sócrates já está condenado pelos crimes que cada um acha que ele cometeu, “por isso está preso”. Acabou-se.

O JORNALISTA tem todo o direito, direi, o dever, de questionar os socialistas sobre a prisão de José Sócrates. Mas… a primeira pergunta no decurso de um congresso! Não me dispenso de cognominar tais personagens de praticar um jornalismo tablóide. O pior é que sabemos que este jornalismo tem mercado.

Mas, caros leitores, permitam-me que recorde Cândida Ventura, uma ilustre militante do PCP, partido que veio a abandonar, que escreveu em 1984, no seu livro “O Socialismo que eu vivi. Testemunho de uma ex-dirigente do PCP”. No seu interior encontramos uma frase muito popular. “Quem tem telhados de vidro não deverá atirar pedras”. E já se sabe bem porquê…

Só mais um pequeno reparo: porque será que algumas pessoas atacam ferozmente outras pessoas? Por inveja, suspeição, ataque por ataque, por medo… Desconfio sempre daqueles que são muito ligeiros a atacar outros, como se eles estivessem acima do bem e do mal. Mas cuidado! Quando o ataque é desmesurado, normalmente esconde qualquer coisa. Acha que não?

 

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publicado por António Pinela, António Pinela às 18:01


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