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FILOSOFIA

A Filosofia é uma concepção do mundo e da vida, é amor pela sabedoria, é reflexão crítica e investigativa do conhecimento e do ser. António A. B. Pinela.


Sexta-feira, 05.01.18

Autoconfiança e auto-estima

Nota-se, frequentemente, um défice de autoconfiança e de auto-estima em cada um de nós. Aliás, somos um pouco dados a subestimar as nossas capacidades empreendedoras. Por um motivo ou outro, facilmente, no tempo que corre, verifica-se o declínio destes dois motores da vida humana.

Cada um de nós sabe que existe a nossa afirmação do Eu, ou Ego, independente da sua definição, que é o que menos importa, neste texto. Sabemos que algo existe e que nos motiva. Compreendemos que aquilo que, ordinariamente, entendemos por autoconfiança é a capacidade de utilizarmos, de aplicarmos essa motivação, ou Ego, em circunstâncias várias que possam estar a exigir a nossa acção.

Assim, fracassamos no que concerne a autoconfiança e a auto-estima quando acreditarmos que não possuímos capacidade para enfrentar uma situação que se nos apresenta ou que procuramos. A apreensão desta incapacidade, que é o facto básico na falta de autoconfiança, pode advir de múltiplas causas. Por exemplo, pode resultar do fracasso e desapontamento que decorreu de um empreendimento que se esperava resultasse com sucesso. Se o empreendimento era de grande importância para o indivíduo, o fracasso pode dar origem a um trauma psicológico que pode fazer com que o EU se torne inibido, portanto, carente da necessária de auto-afirmação.

Algumas pessoas são emocionalmente mais sensíveis que outras ao fracasso, seja ele de pequena ou de grande monta. Como resultado, fica inibida a sua autoconfiança quando são obrigadas a realizar outra actividade similar e a iniciar um novo projecto. Pensa-se, frequentemente, que o fracasso anterior foi devido a alguma falha não prevista ou a alguma deficiência de planificação, que terá influído sobre os demais empreendimentos. Assim, a autoconfiança e a auto-estima são reprimidas.

Portanto, o sujeito da acção não estando consciente das aptidões que possa ter, a sua confiança em si mesma diminui. O que é dito traduz-se naquilo a que vulgarmente se denomina por complexo de inferioridade.

Ora, ninguém pode chegar antes de partir. Por isso, devemos sempre evitar comprometermo-nos em projectos para os quais não tenhamos capacidade de realização plena, em todas as suas dimensões. As situações são sempre transitórias, por isso, não basta ter capacidade para realizar um dos aspectos do processo. Se o indivíduo sentir que não domina todos os itens, então terá que se rodear do que lhe faz falta, sob pena de viver o que não deseja: o fracasso. Este factor pode rapidamente gerar a falta de autoconfiança.

Nada mais induz confiança como o sucesso; portanto, se nada empreendermos, nenhuma possibilidade teremos de alcançar sucesso. Devemos, contudo, ter presente, que nenhum ser humano será sempre bem-sucedido.

Consideremos, agora, outro aspecto. Contrariamente ao que se possa pensar, a falta de confiança e de auto-estima pode gerar o seu contrário: excessiva confiança e valorização da auto-estima, que por sua vez produz o que se denomina a desmedida valorização do eu ou egocentrismo. É aquilo a que vulgarmente se diz de um indivíduo que se acha o centro do universo.

Existem pessoas que, devido aos seus fracassos em várias dimensões, procuram colmatar isso com a sua supervalorização, querendo impor-se aos outros, subestimando quem os rodeia. É o protótipo de indivíduo que procura sistematicamente que olhem para si como único, como o centro da vida. Esta mundividência produz, geralmente, desequilíbrio psicológico ou psicoses, traduzidas na incapacidade de relacionamento, na perda do sentido da medida, o que complica toda a situação envolvente. O indivíduo possuído de egocentrismo fica incapacitado para vislumbrar outra realidade que não seja a sua. (António Pinela, Reflexões).

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publicado por António Pinela, António Pinela às 15:54

Sábado, 30.09.17

Liberdade humana

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 A vida humana constitui, a cada momento, um todo. Tanto é assim que os nossos actos presentes são sempre influenciados pela nossa história de vida.

Lenta, mas progressivamente, o homem vai-se circunscrevendo aos limites da sua vida momentânea e vai perdendo liberdade, porque cada vez mais o peso do seu passado influência o seu presente.

A liberdade humana está sempre comprometida com o existir. Com efeito, não existe liberdade abstracta. Assim, pode dizer-se que o homem está sempre limitado: está limitado pela sua constituição biológica, mas também psicológica; pela sua cultural, mas também, e particularmente, pelas suas decisões passadas.

«Se eu tivesse agora menos 10 anos faria isto ou aquilo», é comum dizer-se. O que quer dizer que cada homem podia ter sido muito diferente daquilo que é! Podia ter sido outro homem! Mas isso já não é possível. Aliás, nunca é possível – aquela oportunidade já passou, já não podemos escolher caminho diferente; apenas pequenos desvios, que ramificam o caminho anterior, são possíveis.

António Pinela

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publicado por António Pinela, António Pinela às 22:55

Sábado, 12.08.17

A “pós-verdade”

No interior do jornal que leio, hoje, o DN, está escrito em título: «Sobreviver num mundo da pós-verdade»!

Mais uma vez interrogo: que é a “pós-verdade”?

Por que se corre a onda de um qualquer neologista, sem se cuidar de analisar os “conteúdos” que se escrevem?

A função da linguagem metalinguística resolveria esta questão, mas provavelmente estou a ser algo exigente.

Seja como for, como cada um de nós leia esta expressão, gostaria de alguma informação sobre a “pós-verdade”, que conteúdo expressa, que se pretende dizer?

Desde já, os meus agradecimentos.                          

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publicado por António Pinela, António Pinela às 12:45

Domingo, 09.07.17

Pós-verdade

Que é a “pós-verdade”?

De quando-em-quando emergem por aí uns “criadores neológicos”, que grafam a negação neológica. Refiro-me, obviamente, à criação da expressão «pós-verdade»!

Do ponto de vista de quem emprega este termo, quererá dizer, provavelmente, “a sua verdade”, aquela que, do ponto de vista lógico, não convém a mais ninguém, nem à própria verdade.

Do ponto de vista filosófico, a «pós-verdade» é, já o sabemos, uma não verdade; ou como mais directamente diz o povo: é uma mentira pura-e-dura. Com efeito, já diziam os filósofos antigos: «o que é, é; o que não é, não é», não há uma terceira possibilidade, que esta sim, parece ser a “pós-verdade” de alguns “neo-pensadores”.

É legítima e útil a criação de neologismos, mas desde que estes tenham algum sentido, pois só assim o falante que comunica se faz entender pelos outros. E é bom não esquecer que quem comunica só passa a existir, como comunicador, depois de ser compreendido pelo outro… Ou não é assim?

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publicado por António Pinela, António Pinela às 10:43

Quarta-feira, 28.06.17

Sebastião Pereira, o "jornalista" escondido

Um tal “jornalista” português, Sebastião Pereira, escondido atrás da cortina do pseudónimo, critica a governo português, num jornal espanhol, “El Mundo”, a propósito da desgraça que se abateu sobre Pedrogão Grande. Porquê sob pseudónimo?

Então, para criticar o governo é preciso esconder-se? É preciso “refugiar-se” em Espanha? Ou é falta de coragem para dizer claramente o que “Sebastião Pereira” [ou lá o que ele seja] pensa, mas que não é capaz, com receio de ser conectado com algum partido menos recomendado, no momento, em Portugal?

Esconder-se em nada ajuda a democracia.

Critique-se o que houver por criticar, esclareça-se o que houver por esclarecer, sem ambiguidades nem malabarismos jornalísticos ou políticos. O povo de Pedrogão Grande merece essa coragem e esse respeito.

Quando não somos capazes de assumir o nosso pensamento, então a liberdade e a democracia começam a anemizar (Reflexões, António Pinela).

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publicado por António Pinela, António Pinela às 15:18

Quarta-feira, 21.06.17

Politiquices com a dor alheia

Há por aí uns políticos/as - quais abutres! - que não respeitando, sequer, a dor daqueles que tantos familiares e amigos perderam, já estão a fazer política, digo: politiquice, com a desgraça alheia, pedindo já a cabeça daqueles que, eventualmente, tenham falhado em Pedrogão Grande. Arre!

Deixem o rescaldo arrefecer. Depois, no Parlamento, onde parece que estão, façam a sua CRÍTICA, ou seja:

  1. Façam uma análise clara e esclarecedora da situação,
  2. Indiquem o que correu bem,
  3. Indiquem o que falhou,
  4. Apontem sugestões: a) de prevenção para melhorar o sistema; b) de coordenação e de combate…

Provavelmente, estou a pedir muito a quem pensa que CRITICAR é dizer mal dos outros, mas não «meus lindos». A crítica é um instrumento fundamental do pensamento, sem a qual toda a retórica não passa de ‘balelas’.

Só mais uma nota: que digam também, os tais que já vieram a terreiro, e já passaram pelo governo da República, quais foram os seus contributos para melhorar o sistema de prevenção e de ataque aos fogos, que todos os anos assolam o nosso país.

Deixem-se de olhar para os vossos interesses imediatos e mesquinhos e façam política a sério (António Pinela, Reflexões).

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publicado por António Pinela, António Pinela às 16:10

Sexta-feira, 09.06.17

Perguntaram a Dalai Lama...

"O que mais te surpreende na Humanidade?"
E ele respondeu:
"Os Homens... porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.
E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido." (
Dalai Lama).

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publicado por António Pinela, António Pinela às 22:29

Quinta-feira, 08.06.17

Somos vistos pelo que fazemos e somos

Vivemos num tempo em que a moda é parecer ao invés de ser. Os modismos estão por aí em todos os sítios. E navega-se um pouco à espera que surja uma nova moda para que entremos nela.

Se a moda vigente é dizer palavrão, então temos todos de dizer palavrão, é de bom tom, senão ainda nos vão considerar cotas, velhos e antiquados; mas se a moda é o snobismo, há que ser snobe e, como tal, temos que, custe o que custar, pertencer ao grupo dos tios e das tias, senão não entramos na roda dos mais in; mas se a moda é o espalhafato, porque não ser espalhafatoso? Temos é que acompanhar a moda, que diabo!

Vive-se num tempo em que o que importa é parecer. Parecer bem nas artes, na música (que também é uma arte), na discussão de todos os assuntos, na política, etc. E, sobretudo, parecer aquilo que não somos. Temos é de parecer qualquer coisa, de preferência parecer melhor do que o outro, pelo menos aos nossos próprios olhos. É o que faltava não sermos o melhor, que mais não seja na nossa imaginação! Ser melhor do que o outro é a preocupação dominante. No entanto, quase sempre nos esquecemos que há sempre alguém melhor do que nós, em algum aspecto da praxis humana. Ninguém é, em termos absolutos, o melhor. Há sempre qualquer coisa que nos falta e diferencia. E é neste pormenor que reside a beleza e a complementaridade da vida. E porque não é um ser absoluto, o homem é naturalmente um ser relativo, porque limitado. Precisa, portanto, dos outros.

Aliás, ninguém pode viver, nem sequer sobreviver, sem o outro. O outro é o alimento do eu. Esclareça-se que não há eu sem que haja um tu. Esse tu é o outro, mas não um ele... Ele passa ao lado, não conta na nossa aritmética, porque está fora do nosso cálculo relacional.

A reflexão sobre o eu e o outro seria um exercício interessante para todos aqueles que se julgam senhores de uma tal presença que transborda da sua própria esfera. E é este egocentrismo que faz com que, incapazes de se olhar, gente caia no mimetismo negativo, quase sem dar por isso, uma vez que estão convencidos de que agem ética e esteticamente de modo irrepreensível!

O espírito de observação e reflexão deveria conduzir-nos a contrariar este modus vivendi. Porque não queremos ser tal como somos? Porque queremos ocupar o lugar do outro? Por mais voltas que demos, nós só somos vistos por aquilo que fazemos e somos e não por aquilo que imaginamos que os outros vêem em nós. Não raro, a diferença entre o ser que somos e o ser que pensamos ser é abissal, sem que nos demos conta de que assim é. Isto porque somos pouco dados à reflexão e, sobretudo, porque envaidecemos com o figurão que imaginamos fazer, sem nos apercebermos que estamos a ser ridicularizados às nossa próprias mãos.

Ninguém pode ocupar o lugar do outro. Cada um ocupa apenas o seu próprio espaço, o espaço que, na sua caminhada, cada um sabe construir. É este espaço que é sua pertença. «O seu a seu dono», diz o povo.

Convencionalmente, todos somos iguais; naturalmente, todos somos diferentes. Há sempre qualquer coisa que nos diferencia e distingue do outro. Até, neste aspecto, precisamos do outro. E é esta diferença específica que dá encanto e caracteriza o ser humano.

Decorre da presente reflexão que o que importa não é parecer, mas sim ser; ser como somos, com os nossos defeitos, com as nossas virtudes, com os nossos tiques, com a nossa personalidade. A grandeza de cada ser humano decorre das suas qualidades e defeitos, da sua experiência e vivências, da sua existência enquanto ser caminhante (António Pinela, Reflexões).

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publicado por António Pinela, António Pinela às 21:46

Terça-feira, 06.06.17

Contradições da natureza humana

Nem sempre somos dados à introspecção, nem a profundas reflexões. No entanto, em determinados momentos da nossa existência damo-nos conta de que estamos a pensar sobre os nossos sentimentos e os nossos actos, levados por perguntas que nos ocorrem em catadupa. São pequenas coisas, alguns obstáculos ou grandes acontecimentos de que somos protagonistas, que nos conduzem ao pensamento. E então, inicia-se um processo reflexivo que propicia o esclarecimento das nossas próprias dúvidas, iniciando-se um processo de conhecimento. Chama-se a isto filosofar.

Todos queremos encontrar um caminho para a nossa vida, porque é assim que ela faz sentido. Demoramos tempo, às vezes muito tempo, a entender esta verdade. Escondemo-nos no recôndito da nossa interioridade e não deixamos que o sentimento se mostre. É cómodo, porque a realidade envolvente nem sempre é linear.

A criatura humana, salvo raras excepções, não tem o hábito de arrumar, em si, as suas próprias vivências, as mais ricas, e dá, quase sempre, alguma ênfase ao particular, ignorando o universal. Porque em nós existe um misto de contradição: queremos e não queremos conhecer as verdades, as realidades, o que nós somos e qual a nossa relação com os outros.

Pensamos que sabemos do que se trata, que conhecemos a verdade, mas não temos coragem para enfrentar o que julgamos saber e conhecer. Falta de coragem, ou incapacidade real para entender o que nos traz a vida?

Rodeamos as coisas, andamos à volta, giramos… Mas a voz interior, aquela que é silenciosa, mas dolorosa, os sentimentos, um dia revolta-se e manifesta-se sob diversas formas: contradições, ódios, vontades, desejos, princípios… Tudo emerge em catadupa, sem controlo, em turbilhão, a tal ponto que nos tolhe a capacidade racional. E não raro, sob o efeito depressivo desse turbilhão, agimos de modo inapropriado. E sem retorno.

Os sentimentos contraditórios criam habitualmente mal-estar, desajustamento, pensamento doentio.

A vida inter-relacional que levamos, por vezes cega-nos, não nos deixando vislumbrar o que é óbvio e mais importante para cada um de nós: a paz interior.

E tudo isto, porque, não raro, não somos capazes de definir as nossas prioridades, escolher o nosso caminho, dar importância aos momentos únicos das vivências de que somos protagonistas, e deitamos tudo a perder.

Sendo tudo isto consequência de não sermos capazes de entender claramente o nosso estado emocional, nem racional. Vamos andando por um caminho aparentemente mais fácil, mas que não é o nosso, que nos pode conduzir ao abismo. Causando, com a tal atitude, sofrimento e dor a nós próprios e aos outros. Porque será assim a natureza humana? (António Pinela, Reflexões).

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publicado por António Pinela, António Pinela às 22:03



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